Há palavras que se gastam com facilidade. “Sustentabilidade” é uma delas: aparece em rótulos, campanhas e discursos, muitas vezes sem explicar o que muda, na prática, no campo e na produção.
Este artigo reúne algumas das práticas que fazem parte do dia a dia da quinta, com um objetivo simples: mostrar como um projeto agrícola pode procurar qualidade e continuidade sem depender de promessas vagas.
Agricultura biológica
A Quinta Mourisca trabalha em modo de produção biológico, com certificação bio na transformação do azeite e certificação bio nas culturas agrícolas.
Na prática, a agricultura biológica implica escolhas que favorecem o equilíbrio do ecossistema e a saúde do solo, evitando soluções rápidas que podem comprometer o longo prazo. Num território como Trás-os-Montes, onde o clima e o relevo pedem atenção constante, esta forma de trabalhar exige observação, consistência e respeito pelos ciclos naturais.
Se tiver curiosidade, pode ler mais sobre as nossas práticas de agricultura biológica no nosso artigo do blog.
Solo vivo
Um dos pilares do projeto é a forma como se pensa a fertilidade. Em vez de depender de inputs externos, a Quinta Mourisca utiliza apenas estrume das ovelhas Churra Badana.
É uma escolha com impacto real:
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valoriza recursos internos da quinta;
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reduz a necessidade de fertilização “importada”;
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contribui para a matéria orgânica do solo, essencial para a sua estrutura e vitalidade.
O solo é, muitas vezes, a parte invisível da qualidade. Mas é nele que se decide a resiliência do olival, a capacidade de reter água e a estabilidade do ecossistema ao longo dos anos.
A quinta privilegia raças autóctones, como a Churra Badana, o Porco Bísaro e o Cão de Gado Transmontano, por fazerem parte do património rural local e por estarem naturalmente adaptadas ao território.
Cobertura do solo e biodiversidade
Em encostas e terrenos com declive, a erosão é um risco silencioso: a água leva o que o solo tem de mais fértil. Por isso, a quinta privilegia a gestão de vegetação espontânea e cobertura do solo, evitando a lógica de “solo nu”.
Além de ajudar a proteger o terreno, esta cobertura contribui para:
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maior retenção de humidade;
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melhor estrutura do solo;
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mais biodiversidade (insetos, microrganismos e equilíbrio natural).
É uma prática simples na aparência, mas com impacto direto na saúde do olival e na continuidade do ecossistema.
Olival de sequeiro
Outra prática central é clara: as oliveiras não são regadas.
Trabalhar com um olival de sequeiro significa aceitar o ritmo do clima e do ano agrícola, sem “forçar” a árvore com água suplementar. Em regiões mediterrânicas, onde a água é um recurso cada vez mais sensível, esta opção tem um peso real e obriga a uma gestão cuidadosa do olival, do solo e da expectativa de produção.
Com as alterações climáticas, esta é uma decisão que pode vir a ser adaptada com rega gota-a-gota, dependendo da necessidade das nossas oliveiras.
Reaproveitamento e circularidade
Para nós é essencial combater o desperdício alimentar e um exemplo claro está nos vinagres: os vinagres de fruta são feitos a partir do reaproveitamento do desperdício das compotas. Ou seja, parte do que poderia ser considerado “resto” transforma-se em matéria-prima para um novo produto, com identidade própria.
Este tipo de reaproveitamento tem duas vantagens importantes:
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reduz desperdício alimentar real, dentro do processo;
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cria uma lógica de produção mais eficiente, onde cada etapa alimenta a seguinte.
Alimentação animal
Na quinta, a comida e fruta que já não está boa é utilizada para alimentação animal. Esta prática reduz desperdício e fecha um ciclo interno: recursos que perderam valor comercial continuam a ter valor funcional, apoiando a vida da quinta e evitando descarte desnecessário.
Embalagens e envios
Nem tudo se resolve no campo. A forma como um produto é embalado e enviado também tem impacto e é uma área onde pequenas decisões acumulam resultados.
Nas encomendas online, a Quinta Mourisca utiliza quase sempre caixas reutilizadas, exceto quando existe necessidade de embalamento especial para garantir proteção e qualidade no transporte. Esta escolha reduz consumo de materiais novos e dá uma segunda vida a embalagens que, de outra forma, seriam descartadas.
Contamos com as caixas que os nossos vizinhos nos doam para podermos embalar a maioria das nossas encomendas.
Produção local e parcerias de proximidade
Sustentabilidade também é cadeia de valor. Sempre que possível, a Quinta Mourisca trabalha com parcerias de proximidade e produtores que partilham uma visão de qualidade e respeito pelo produto.
Esta proximidade não é apenas geográfica; é também uma forma de transparência: saber de onde vem cada ingrediente, como foi produzido e em que condições permite tomar decisões mais responsáveis e manter um padrão consistente.
A sustentabilidade começa no campo, mas continua nas escolhas de quem compra e de quem cozinha. Para conhecer melhor os produtos e a forma como são feitos, vale a pena explorar o azeite e os vinagres da Quinta Mourisca, sempre com origem clara, pequenos lotes e o respeito pelo território que os torna possíveis.