Raças autóctones
Faz parte dos valores da Quinta Mourisca trabalhar com raças autóctones da região. Escolher uma raça como o Bísaro, em vez de optar por um tipo de porco mais “industrial” ou pensado para crescimento rápido, é escolher:
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Adaptação ao território: raças autóctones estão habituadas ao clima, ao relevo e às condições locais, o que favorece uma criação mais estável e consistente.
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Preservação de património vivo: manter estas raças ativas é manter conhecimento, práticas e diversidade genética que fazem parte da história rural da região.
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Qualidade ligada ao tempo: quando o objetivo não é acelerar ciclos, há espaço para respeitar o ritmo do animal e o que isso traz em textura, gordura e profundidade de sabor.
Há também um aspeto menos visível, mas essencial: a biodiversidade e a diversidade genética. Quando se substituem raças locais por linhagens muito uniformizadas, perde‑se variabilidade e com ela perde‑se resiliência (capacidade de adaptação a doenças, clima e mudanças no ecossistema). Trabalhar com raças autóctones ajuda a manter esse equilíbrio e a proteger um recurso que não se recupera de um ano para o outro.
No fundo, é uma decisão sobre o tipo de agricultura e de alimentação que se quer apoiar: mais enraizada, mais transparente e menos padronizada.
O que é o porco Bísaro (e porque importa)
O Bísaro é uma raça autóctone portuguesa, historicamente presente nas zonas do Minho e Trás‑os‑Montes. É conhecido pela rusticidade e pela capacidade de se adaptar a sistemas mais extensivos, onde o animal tem espaço, rotina e uma alimentação pensada para crescer de forma equilibrada.
Quando se trabalha com uma raça como esta, trabalha‑se também com um certo tipo de resultado: uma carne com textura e profundidade, e uma gordura que contribui para suculência e aroma. .
15 hectares para andar, explorar e viver ao seu ritmo
Na Quinta Mourisca, os porcos Bísaros são criados diretamente na propriedade. Têm uma zona cercada com cerca de 15 hectares, onde andam livremente.
Esse espaço muda o dia a dia do animal:
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Permite movimento e comportamento natural
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Reduz stress e favorece bem‑estar
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Dá tempo e o tempo, aqui, é parte do método
Mais do que “ter área”, trata‑se de criar condições para que a vida do animal não seja apressada.
Alimentação: simples, consistente, ligada ao que a terra dá
A alimentação é um dos pontos que mais influencia o desenvolvimento do animal. Na Quinta, a base inclui cereais, bolota e restos agrícolas, numa lógica de aproveitamento responsável, alinhada com o ritmo da exploração.
Pequena escala, atenção real
A criação em pequena escala permite uma relação diferente com o processo. Na Quinta Mourisca, existem cerca de 10 a 20 animais adultos.
Isto significa, na prática:
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Observação mais próxima e decisões mais conscientes;
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Rotinas ajustadas ao que os animais precisam;
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Uma produção que não depende de acelerar ciclos.
Porque escolhemos este caminho
Os porcos Bísaros da Quinta Mourisca vivem com espaço, rotina e tempo, numa área cercada de 15 hectares, com alimentação simples e uma escala pequena que permite atenção a cada animal e às suas necessidades. E, acima de tudo, representam uma escolha: trabalhar com o que é da região, respeitar o ritmo do campo e manter vivo um património que não se substitui.